A perda de pelos é uma das alterações de pele mais percebidas pelos tutores. Afinal, basta aparecer uma área com falhas no pelo, uma região completamente sem cobertura ou uma queda mais intensa para surgir a preocupação.
Mas será que toda queda de pelos significa uma doença de pele?
Não necessariamente.
Cães e gatos podem perder pelos por diversos motivos. Algumas situações estão relacionadas ao ciclo normal do pelo. Outras podem estar associadas a parasitas, alergias, infecções, alterações hormonais, doenças autoimunes, problemas nutricionais ou até condições sistêmicas.
Outro ponto importante é que a aparência da alopecia pode mudar bastante de um animal para outro. Um pet pode apresentar pequenas áreas sem pelos. Outro pode desenvolver queda generalizada. Também existem casos em que a pele fica avermelhada, descamada ou com feridas.
Por isso, observar apenas a área sem pelos não costuma ser suficiente para descobrir a causa.
A seguir, vamos entender o que é alopecia, quais doenças podem provocar esse problema e quais sinais indicam que é importante buscar uma avaliação veterinária.
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O que é alopecia em cães e gatos?

Alopecia é o termo utilizado para descrever a perda de pelos ou a ausência de pelos em determinada região do corpo.
Ela pode ser localizada, quando aparece em uma área específica, ou generalizada, quando envolve regiões maiores do corpo.
Também pode apresentar diferentes padrões. Em alguns animais, os pelos simplesmente ficam mais ralos. Em outros, surgem áreas completamente descobertas.
A alopecia ainda pode ser classificada de acordo com características como:
- Alopecia focal: aparece em uma região específica.
- Alopecia multifocal: envolve várias áreas separadas.
- Alopecia generalizada: afeta uma grande parte do corpo.
- Alopecia simétrica: ocorre de maneira semelhante nos dois lados do corpo.
- Alopecia associada à coceira: o animal perde pelos por se coçar, lamber ou morder.
- Alopecia sem coceira: pode ocorrer em algumas doenças nas quais o animal não demonstra prurido.
Essa diferenciação é importante porque o padrão da perda de pelos pode fornecer pistas durante a investigação.
Queda de pelo é sempre alopecia?
Não.
Cães e gatos naturalmente passam pelo ciclo de crescimento, repouso e queda dos pelos. A intensidade da troca pode variar conforme raça, idade, ambiente e características individuais.
O problema surge quando a queda deixa de parecer compatível com o padrão habitual do animal.
Falhas visíveis, áreas completamente sem pelos, queda acompanhada de alterações na pele ou perda persistente podem indicar que existe alguma condição por trás do quadro.
Além disso, o tutor pode perceber apenas o resultado final. O animal pode estar lambendo ou coçando uma determinada região há semanas, por exemplo, e a perda de pelos ser consequência desse comportamento.
Por isso, a pergunta não deve ser apenas “por que meu pet está soltando muito pelo?”, mas também “por que ele está perdendo pelos dessa forma?”.
Parasitas estão entre as causas de perda de pelos
Pulgas, ácaros e outros parasitas podem provocar alterações importantes na pele de cães e gatos.
Em alguns casos, o problema não é apenas a presença do parasita. A reação do organismo à sua presença também pode contribuir para o quadro.
Um exemplo bastante conhecido é a dermatite alérgica à picada de pulga. Alguns animais apresentam uma reação intensa às substâncias presentes na saliva da pulga. Como consequência, podem desenvolver coceira, vermelhidão, crostas e perda de pelos.
A região afetada pode variar, mas existem padrões de distribuição que ajudam o veterinário durante a investigação.
Sarna e outros ácaros
Algumas espécies de ácaros também podem causar doenças dermatológicas acompanhadas de queda de pelos.
Dependendo do agente envolvido, o animal pode apresentar:
- Coceira intensa.
- Vermelhidão.
- Descamação.
- Crostas.
- Feridas.
- Falhas de pelo.
- Espessamento da pele.
Em cães, diferentes tipos de sarna podem apresentar manifestações distintas. Nos gatos, algumas infestações por ácaros também podem provocar alterações importantes na pele.
É importante não tentar identificar o parasita apenas pela aparência da lesão. Algumas doenças apresentam sinais semelhantes, mas exigem tratamentos completamente diferentes.
Por que o controle de parasitas é importante?
Quando existe suspeita de parasitose, o veterinário pode avaliar a pele, investigar a distribuição das lesões e realizar exames específicos.
O controle adequado também precisa considerar o ambiente e, dependendo do caso, outros animais que convivem na mesma casa.
Isso porque tratar somente a área sem pelos não necessariamente resolve a causa.
Alergias e dermatites também podem provocar falhas no pelo
As doenças alérgicas estão entre as condições que podem provocar coceira e perda de pelos em cães e gatos.
Nesses casos, a alopecia muitas vezes acontece de forma indireta.
O animal sente coceira e passa a se coçar, lamber, morder ou esfregar determinadas regiões. Com a repetição desse comportamento, os pelos podem quebrar ou ser arrancados.
A pele também pode sofrer consequências.
Pode ocorrer:
- Vermelhidão.
- Descamação.
- Feridas.
- Crostas.
- Escurecimento da pele.
- Infecções secundárias.
- Alteração na textura da pele.
Dermatite atópica
A dermatite atópica é uma condição alérgica que pode causar coceira persistente e recorrente.
Em cães, algumas regiões são frequentemente envolvidas, como patas, face, orelhas, axilas e abdômen, embora a apresentação possa variar.
Nos gatos, as manifestações alérgicas podem ser diferentes e nem sempre aparecem da mesma maneira que nos cães.
Por isso, não é recomendado utilizar um diagnóstico feito para outro animal como referência.
Alergia alimentar
A alimentação também pode estar relacionada a manifestações dermatológicas em alguns animais.
Quando existe suspeita de alergia alimentar, a investigação costuma exigir uma abordagem estruturada. Simplesmente trocar a ração de maneira aleatória pode não ser suficiente para esclarecer o problema.
O veterinário pode indicar uma estratégia dietética específica e acompanhar a resposta do animal.
O ciclo da coceira
Um ponto importante é que a coceira pode manter o problema mesmo depois que o fator inicial deixa de estar presente.
O animal se coça.
A pele sofre novas lesões.
As lesões provocam mais desconforto.
O animal volta a coçar ou lamber.
Esse ciclo pode favorecer inflamação e infecções secundárias, tornando o quadro mais complexo.
Por isso, identificar apenas a causa da coceira não é necessariamente o fim da investigação. É preciso avaliar também as alterações que se desenvolveram na pele.
Infecções e doenças hormonais podem causar alopecia

Nem toda perda de pelos está relacionada a alergias ou parasitas.
Infecções dermatológicas e alterações hormonais também podem estar por trás da alopecia.
Entre as causas infecciosas, é possível encontrar infecções provocadas por fungos e bactérias.
Dermatofitose
A dermatofitose, popularmente associada à micose, pode causar áreas de perda de pelos, descamação e alterações na pele.
Em alguns casos, as lesões podem apresentar formato relativamente delimitado. Porém, a aparência não é suficiente para confirmar o diagnóstico.
Além disso, alguns fungos podem ser transmitidos entre animais e também podem apresentar importância para a saúde humana.
Por isso, quando existe suspeita de dermatofitose, a avaliação veterinária é especialmente importante.
Infecções bacterianas
Infecções bacterianas podem aparecer como consequência de outras doenças dermatológicas.
Um animal com alergia, por exemplo, pode se coçar continuamente e comprometer a barreira da pele. Isso pode favorecer a proliferação de microrganismos.
Nesses casos, podem aparecer:
- Pústulas.
- Crostas.
- Vermelhidão.
- Mau odor.
- Sensibilidade.
- Áreas úmidas.
- Queda de pelos.
A infecção pode ser primária ou secundária. Descobrir essa diferença ajuda a direcionar o tratamento.
Alterações hormonais
Algumas doenças endócrinas também podem provocar alterações no crescimento e na distribuição dos pelos.
Entre as condições que podem estar relacionadas à alopecia em cães estão alterações envolvendo a tireoide e as glândulas adrenais, entre outras possibilidades.
Nessas situações, a queda de pelos pode apresentar um padrão diferente daquele observado em doenças que provocam muita coceira.
O animal pode apresentar áreas de alopecia relativamente simétricas, alterações na pele e outras mudanças no organismo.
Isso mostra por que o diagnóstico dermatológico não deve se limitar à observação superficial da pele.
Outras doenças também podem estar por trás da perda de pelos
Existem situações em que a alopecia está relacionada a mecanismos menos comuns, mas que também precisam ser considerados quando o quadro não apresenta uma explicação simples.
Entre elas estão algumas doenças autoimunes, alterações do ciclo do pelo, problemas nutricionais, doenças sistêmicas e determinadas condições genéticas.
Doenças autoimunes
Em algumas doenças autoimunes, o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo.
Dependendo da condição, a pele pode apresentar:
- Vermelhidão.
- Descamação.
- Crostas.
- Feridas.
- Alterações de pigmentação.
- Perda de pelos.
Esses casos geralmente exigem uma investigação mais detalhada.
Exames dermatológicos específicos podem ser necessários para diferenciar uma doença autoimune de outras condições que apresentam aparência semelhante.
Alterações do ciclo do pelo
O pelo passa por diferentes fases de crescimento e renovação.
Alterações nesse ciclo podem levar a quadros de alopecia que não necessariamente apresentam coceira intensa ou lesões evidentes.
O veterinário pode considerar fatores como idade, raça, histórico, distribuição da perda de pelos e evolução do quadro.
Deficiências nutricionais
A alimentação inadequada pode comprometer diferentes aspectos da saúde do animal, inclusive a pele e os pelos.
Entretanto, é importante ter cuidado com a ideia de que toda queda de pelo é causada por falta de vitaminas.
A suplementação sem indicação pode não resolver o problema e, em algumas situações, pode até ser inadequada.
Antes de oferecer suplementos, é melhor investigar a causa da alteração.
Genética e características individuais
Algumas raças apresentam predisposição para determinadas alterações dermatológicas ou do crescimento dos pelos.
Existem também condições hereditárias que podem provocar alterações na cobertura de pelos.
Por isso, informações como raça, idade e histórico familiar podem fazer parte da investigação.
Como descobrir a causa da alopecia no pet?

Encontrar a causa da perda de pelos pode exigir uma investigação por etapas.
O primeiro passo é uma avaliação clínica detalhada.
Durante a consulta, o veterinário pode investigar:
- Quando a queda começou.
- Se ela está aumentando.
- Se existe coceira.
- Se o animal lambe ou morde a região.
- Se existem feridas ou crostas.
- Quais áreas do corpo estão afetadas.
- Se outros animais da casa apresentam sintomas.
- Qual é a alimentação.
- Como é feito o controle de parasitas.
- Quais medicamentos o animal utiliza.
- Se existem outras alterações de saúde.
A aparência da pele também é importante.
Dependendo da suspeita, podem ser realizados exames como raspado de pele, citologia, exames para investigação de fungos, avaliação de pelos e outros testes dermatológicos.
Em determinadas situações, exames de sangue ou até biópsia de pele podem ser indicados.
Por que não existe um tratamento único?
Porque alopecia é um sinal, não necessariamente o diagnóstico final.
Se a perda de pelos estiver relacionada a pulgas, o controle de parasitas será parte fundamental da abordagem.
Se houver alergia, será necessário investigar e controlar os fatores envolvidos.
Se existir uma infecção, o tratamento dependerá do agente identificado ou da suspeita clínica.
Se houver uma doença hormonal ou sistêmica, a estratégia será diferente.
É justamente por isso que usar medicamentos por conta própria pode atrasar o diagnóstico.
Um produto que funcionou para outro cachorro ou gato pode não ter qualquer efeito sobre a causa do problema do seu pet.
Quando procurar um veterinário?
Uma avaliação é especialmente importante quando a perda de pelos:
- Surge de forma repentina.
- Está aumentando rapidamente.
- Forma áreas completamente sem pelos.
- Vem acompanhada de coceira intensa.
- Provoca feridas, crostas ou secreções.
- É acompanhada de mau odor.
- Aparece junto com alterações de comportamento.
- Persiste por semanas.
- Volta repetidamente.
- Atinge grandes áreas do corpo.
Também vale procurar orientação quando o animal apresenta alterações dermatológicas recorrentes.
Em muitos casos, quanto melhor a causa é identificada, mais direcionada pode ser a abordagem.
Conclusão
A alopecia em cães e gatos pode ter muitas causas. Parasitas, alergias, infecções, alterações hormonais, doenças autoimunes, problemas nutricionais e alterações do ciclo do pelo estão entre as possibilidades que podem ser investigadas.
Por isso, encontrar uma área sem pelos não significa automaticamente que o animal tenha uma determinada doença.
O padrão da queda, a presença ou ausência de coceira, as características da pele, a idade, a raça, o histórico e outros sinais clínicos ajudam a construir o diagnóstico.
Se a perda de pelos for persistente, intensa, recorrente ou acompanhada de alterações na pele, o ideal é buscar uma avaliação veterinária.
A dermatologia veterinária pode ser fundamental nesses casos, especialmente quando o problema não melhora ou retorna mesmo após tratamentos anteriores.
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FAQ
1. Toda queda de pelos em cães e gatos é sinal de doença?
Não. A troca natural de pelos faz parte do ciclo normal do animal. Porém, falhas visíveis, áreas sem pelos, queda persistente ou alterações acompanhadas de coceira e lesões podem indicar um problema que precisa ser investigado.
2. Alergia pode causar queda de pelos em cães e gatos?
Sim. A alergia pode provocar coceira e levar o animal a se coçar, lamber ou morder determinadas regiões. Esse comportamento pode causar quebra e perda dos pelos, além de provocar lesões na pele.
3. O que fazer quando o pet apresenta uma área sem pelos?
O ideal é observar a evolução e procurar avaliação veterinária, principalmente se houver coceira, vermelhidão, feridas, crostas, secreção ou aumento da área afetada. O tratamento depende da causa e pode exigir exames dermatológicos.
