Alergias estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios veterinários, especialmente quando envolvem coceira intensa, lesões de pele recorrentes e infecções secundárias. Muitos tutores convivem por anos com tratamentos paliativos, sem perceber que existe uma abordagem mais profunda e duradoura para determinados quadros: a imunoterapia alérgica em cães.
Diferente de medicamentos que apenas controlam os sintomas, a imunoterapia atua na causa da alergia, modulando a resposta do sistema imunológico do animal. No entanto, esse tratamento não é indicado para todos os cães nem para todos os tipos de alergia.
Entender quem pode fazer imunoterapia, quais são os critérios de indicação e como funciona o processo é fundamental para tomar decisões mais conscientes sobre a saúde e o bem-estar do pet.
Tópicos do Artigo:
O que é imunoterapia alérgica em cães

A imunoterapia alérgica é um tratamento que visa reduzir a sensibilidade do organismo do cão a substâncias que causam reação alérgica, chamadas de alérgenos.
Ela funciona por meio da administração controlada e progressiva desses alérgenos, em doses específicas, para que o sistema imunológico aprenda a reagir de forma menos intensa.
Características principais da imunoterapia:
- Tratamento de longo prazo
- Abordagem individualizada
- Foco na causa da alergia, não apenas nos sintomas
- Indicação principalmente para alergias ambientais
- Objetivo de reduzir coceira, inflamação e infecções secundárias
Esse tipo de tratamento é amplamente utilizado na medicina humana e veterinária, com bons resultados quando bem indicado.
Quais alergias podem ser tratadas com imunoterapia
A imunoterapia não é indicada para todos os tipos de alergia. Ela apresenta melhores resultados em quadros específicos, principalmente aqueles relacionados ao ambiente.
As alergias mais frequentemente tratadas são:
- Dermatite atópica canina
- Alergia a ácaros da poeira
- Alergia a pólens
- Alergia a fungos ambientais
- Alergia a gramíneas
Por outro lado, a imunoterapia não é indicada para:
- Alergia alimentar
- Alergia a pulgas como causa primária
- Reações medicamentosas
- Dermatites de origem infecciosa sem base alérgica
Por isso, o diagnóstico correto é indispensável antes de qualquer indicação terapêutica.
Quem pode fazer imunoterapia alérgica em cães
Nem todo cão alérgico é automaticamente um candidato à imunoterapia. Existem critérios clínicos bem definidos para essa indicação.
De forma geral, podem fazer imunoterapia cães que:
- Apresentam alergias ambientais confirmadas
- Sofrem com coceira crônica ou recorrente
- Não respondem bem a tratamentos convencionais isolados
- Necessitam de uso frequente de corticoides ou imunossupressores
- Têm qualidade de vida comprometida pelas alergias
- Possuem tutores comprometidos com tratamento de longo prazo
A idade do cão, por si só, não é um fator limitante, desde que o animal esteja clinicamente estável e apto a realizar o acompanhamento necessário.
A importância do diagnóstico correto antes da imunoterapia
Um dos pontos mais críticos no sucesso da imunoterapia é o diagnóstico preciso da causa da alergia.
Antes de indicar o tratamento, o médico-veterinário deve:
- Excluir parasitas, como pulgas e ácaros
- Controlar infecções bacterianas e fúngicas
- Avaliar histórico clínico detalhado
- Realizar dieta de exclusão, quando necessário
- Confirmar o diagnóstico de dermatite atópica
Sem esse processo diagnóstico, a imunoterapia pode ser ineficaz ou indicada de forma inadequada.
Testes alérgicos e seu papel na imunoterapia
Para que a imunoterapia seja personalizada, é necessário identificar quais alérgenos desencadeiam a reação no cão.
Os testes mais utilizados são:
- Teste intradérmico
- Teste sorológico para IgE específica
Esses exames permitem:
- Identificar alérgenos ambientais relevantes
- Formular vacinas alérgicas individualizadas
- Direcionar o tratamento de forma precisa
- Aumentar as chances de resposta positiva
É importante destacar que esses testes não servem para diagnosticar alergia alimentar, mas sim alergias ambientais.
Como funciona o tratamento com imunoterapia

Após a identificação dos alérgenos, é preparada uma formulação específica para aquele cão.
O tratamento segue etapas bem definidas:
- Fase inicial com doses progressivas
- Fase de manutenção com doses estáveis
- Aplicações periódicas, geralmente subcutâneas
- Acompanhamento clínico regular
O protocolo pode variar conforme o caso, mas o objetivo é sempre modular a resposta imunológica ao longo do tempo.
Quanto tempo leva para a imunoterapia fazer efeito
A imunoterapia não apresenta resultados imediatos. Trata-se de um tratamento gradual, que exige paciência e acompanhamento.
De forma geral:
- Alguns cães mostram melhora entre 3 e 6 meses
- Outros podem levar até 12 meses para resposta significativa
- A avaliação deve ser contínua e individualizada
- Ajustes no protocolo podem ser necessários
Durante esse período, outros tratamentos de suporte podem ser utilizados para controlar os sintomas.
Benefícios da imunoterapia alérgica em cães
Quando bem indicada, a imunoterapia pode transformar a qualidade de vida do animal.
Entre os principais benefícios estão:
- Redução significativa da coceira
- Menor frequência de infecções de pele
- Diminuição do uso de corticoides
- Controle mais estável da alergia
- Melhora do conforto e do bem-estar
- Tratamento mais seguro a longo prazo
Em muitos casos, o cão não fica totalmente livre da alergia, mas passa a conviver com ela de forma muito mais controlada.
Limitações e desafios da imunoterapia
Apesar dos benefícios, a imunoterapia não é uma solução milagrosa e apresenta algumas limitações.
Os principais desafios incluem:
- Necessidade de tratamento prolongado
- Resposta variável entre os cães
- Custo associado ao acompanhamento
- Exigência de comprometimento do tutor
- Possibilidade de resposta parcial
Por isso, alinhar expectativas é essencial para evitar frustrações durante o tratamento.
Imunoterapia em cães jovens e idosos
Cães jovens podem se beneficiar muito da imunoterapia, especialmente quando iniciada precocemente, antes que a alergia se torne mais grave.
Já em cães idosos, a indicação depende de:
- Estado geral de saúde
- Presença de outras doenças
- Avaliação do risco-benefício
- Capacidade de acompanhamento
A decisão deve sempre ser individualizada, considerando o contexto clínico do animal.
O papel do tutor no sucesso do tratamento

A imunoterapia exige participação ativa do tutor. Sem esse comprometimento, as chances de sucesso diminuem consideravelmente.
O tutor deve estar preparado para:
- Seguir corretamente o protocolo
- Observar e relatar reações
- Comparecer às consultas de acompanhamento
- Manter controle ambiental sempre que possível
- Ter paciência com a evolução gradual
O tratamento é uma parceria entre veterinário, tutor e paciente.
Imunoterapia substitui outros tratamentos?
Na maioria dos casos, a imunoterapia não substitui completamente outros cuidados, mas reduz significativamente a necessidade de medicamentos contínuos.
Ela costuma ser associada a:
- Controle ambiental
- Banhos terapêuticos
- Cuidados com a pele
- Tratamento de infecções secundárias
- Ajustes nutricionais, quando indicados
A abordagem integrada é a mais eficaz para o controle das alergias.
Segurança da imunoterapia em cães
A imunoterapia é considerada segura quando bem conduzida. Reações adversas são raras e, geralmente, leves.
Possíveis reações incluem:
- Leve inchaço no local da aplicação
- Coceira transitória
- Reações alérgicas leves
Casos mais graves são incomuns e reforçam a importância do acompanhamento profissional.
Conclusão
A imunoterapia alérgica em cães é uma ferramenta valiosa no tratamento das alergias ambientais, especialmente em casos crônicos e de difícil controle. No entanto, ela não é indicada para todos os animais e depende de diagnóstico preciso, acompanhamento contínuo e comprometimento do tutor.
Quando bem indicada, a imunoterapia não apenas reduz sintomas, mas melhora de forma significativa a qualidade de vida do cão, oferecendo uma abordagem mais duradoura e segura para o controle das alergias.
Avaliar cuidadosamente quem pode fazer imunoterapia é o primeiro passo para um tratamento eficaz e responsável.
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FAQ
Todo cão alérgico pode fazer imunoterapia?
Não. A imunoterapia é indicada principalmente para alergias ambientais confirmadas, após diagnóstico completo.
A imunoterapia cura a alergia do cão?
Não necessariamente. O objetivo é controlar a resposta imunológica e reduzir os sintomas, melhorando a qualidade de vida.
Quanto tempo o cão precisa fazer imunoterapia?
O tratamento costuma ser de longo prazo, podendo durar anos, com avaliações periódicas para definir a continuidade.
